Entradas do Novembro 2007
– Apartamento do Sr. Daniel, boa noite!
– Alô! Aqui quem fala é o síndico. Tem como vocês tirarem esse monte de lixo que deixaram ali no corredor, por favor?
– Como é o seu nome?
– É César.
– Seu César, o Daniel é jornalista. Esse assunto o mais indicado é o senhor resolver com a Prefeitura amanhã, porque o expediente agora já encerrou. O senhor quer o telefone?
– É só o lixo ali que deixaram na porta. O pessoal tá reclamando. Tu não moras aí?
– Eu sou só a telefonista, senhor. A questão do lixo é melhor o senhor resolver na Prefeitura mesmo.
– Chama o Daniel aí pra mim, faz favor, que eu tô descendo pra falar com ele.
– O Sr. Daniel está despachando com uma colega que ele conheceu no teatro ontem. Só pode atender amanhã a partir das 14h. O senhor quer deixar recado?
– Vou aumentar o condomínio. Obrigado.
– É, daí o senhor tem que acertar diretamente com ele mesmo. Mas eu deixo seu rec…Sr. César? Ué, desligou! Mal-educado!
Categorias: Crônica

Eternidade esse cabelo nos dedos, teu peso nos ombros assim bom de carregar, teu ir sozinha até ali pertinho e voltar pra mim
Teu sim teu sim teu sim, eu sou.
Tudo meu onde mexeres há de ser ineditável.
Porque deste agora pra escrever-me cartas e contar segredos. Como se eu pudesse guardar pra sempre o que restar depois de ti.
Sou teu.
Porque guardas de mim até o que eu desconheço, pra contar pro meu biógrafo.
Inédita e eterna.
Categorias: As indecorosas
Quebra de decoro. Este é o crime cometido contra mim por essas meninas desenhadas e escritas a partir de daqui a pouco no Texto Decorado.
A série devezenquandal começa agora e eu espero que não acabe.
Para ser desenhada e ganhar uns escritos, basta a menina gostar de si mesma e dos outros, se relacionar comigo e torcer para que nossos ânimos sejam bem compartilhados, discretamente ou nem tanto.
Os nomes de batismo não serão citados. Seria decoroso demais, não acham?
Beijos.
Categorias: As indecorosas
O Radiohead tá com uma boa: o disco novo não tem vínculo com gravadora. Você pode baixar as músicas pelo www.inrainbows.com e pagar o preço que achar justo.
Justo é levar de graça, visto que é uma gravação e eu já gastei com meu PC e com linha telefônica. Reprodução artística só pelo SUS! Pagamento particular, só pra atendimento particular.
Vou puxar pelo Ares, que eu já sei como funciona.
Categorias: Arte
A produção peixo-blumenauer Noite, espetáculo da companhia Porto Cênico com direção de Pepe Sedrez, estará em cartaz sábado e domingo, às 20h, na Fundação Cultural de Blumenau.
A peça não só está fora do roteiro divulgado mensalmente pela FCB, como também fora dos planos do pessoal que atende o público no 3326 6873 (ao menos hoje de manhã). Mas tá confirmado pelos produtores.
Assisti à peça em Itajaí no fim de semana e recomendo pra quem estiver interessado em ver as boas atuações do Roberto, da Cia Carona, e da Valéria, do Porto, ambos muito cuidadosos na marcação das ações. O preço do ingresso no Municipal foi caro: R$ 20,00.
Por isso, vai a dica pra aproveitar bem o investimento: durma bem antes, porque o ritmo de cena é lento, um convite ao cochilo. Outra: se não gosta de fumaça de cigarro, é bom sentar um pouco longe do cenário.
O texto é do mestre Harold Pinter, e trata do difícil relacionamento de um casal depois que a paixão vai quase embora. Um recurso de direção, que vou deixar quieto, torna o espetáculo mais interessante pra quem vai assistir com o namorado ou namorada (neste caso, só se ele for do sexo oposto ao seu).
De um a cinco, pros matemáticos, deixo três estrelinhas pro espetáculo.
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Blumenau sedia, de domingo a terça-feira, o Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Vêm aí R$ 13 milhões em investimentos para o município, mais uma visita do Lula.
A gente finge que vem alguma coisa pra saúde preventiva – a arte – e tenta rir do encontro, no Parque Vila Germânica. Tão bonitinho, tão europeu…tem gente que acha que é a cara de Blumenau.
Se acham mesmo, não deixem de conferir a série de reportagens sobre a situação dos negros em Blumenau, que o Santa publica de terça a quinta.
Categorias: Humor gráfico

Uma contradição me pega de surpresa quando pergunto a ela o que a levou a escrever o texto. Sempre me neguei a responder a perguntas como essa, por entender que o produto final é o que vale, e se estraga quando se conta o motivo da obra. Tira a unidade, muda a intenção do artista ao se expressar.
Preciso conhecer quem gosto, mas reconheço que o artista precisa de um escudo. Eu sempre o levanto pra minha mãe, e agora me vejo no lugar dela. Ela faz essa minha perguntinha indiscreta quase sempre. “O que tu estavas sentindo nessa hora?”.
Mamãe, desta vez eu estava pensando em ti e me passa que tu queiras o poder de provocar novamente em mim essa sensação que me levou a te escrever. Eu, envergonhado, não sei o que dizer. Vai que um dia a resposta não possa ser dada! O que eu faço? Já me previno.
Bocage também se escondia. Ele não estava falando sério quando escreveu esse trecho do auto-retrato:
“Devoto incensador de mil deidades
(Digo de moças mil) num só momento
Inimigo de poetas e frades
Eis Bocage, em quem luz algum talento
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou cagando ao vento.”
Só bocageando, mãe. E tu não gostas.
Categorias: Arte

Roc-rc-rc-rc-cccccccccccccccccc e as máquinas passam a limpo o nosso dia, lá na sala da redação do Santa. Todos os moradores do Vale podem estar lá, desde que contem com a gente e colaborem com nosso trabalho.
A melhor parte do meu primeiro dia num jornal da Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS) foi o pátio. Inteiro: com as máquinas no meu caminho ao sair do jornal, e com a sensação de que há muito trabalho a fazer pra quem tem vontade.
Nada como trabalhar numa empresa boa de marketing. Só ali a gente leva a caderneta de anotações, comprada com sacrifício numa ida ao centro da cidade, e descobre que o bloco e as canetas são por conta da casa. Começa a valorização do profissional.
Gosto da minha missão: procurar saber o que o público quer ler, depois cuidar para que ele realmente leia. Vamos ver no que se transforma essa experiência e do que eu vou brincar nesse pátio.
Tô quase em casa.
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Eu admiro tuas pernas grossas, tua bunda, teu decote escorrendo pelo hemisfério sul dos seios, mas, de pensar em ti no fim desse recheio, quando meu ânimo pedir a companheira de sempre, eu brocho e lastimo tuas palavras que não andam, a cabeça que não inventa.
Te desejo todo o bem do mundo, que faças muitos amigos e amores, e que um dia eu queira te foder. Por enquanto, gata, aprenda a viver e tchau.
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“Mostrar uma imagem como a minha nas páginas de Playboy é uma espécie de militância”
Juliette Binoche, que esteve incrível em “Chocolate” e “A insustentável leveza do ser” (eu sei, minha campanha de marketing “Daniel é cinéfilo”, mas eu amo essa menina).
Olha ela pelada aqui!
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Etiquetado: mulher inteligência tesão

A BBC exibiu e a Record reproduziu uma reportagem sobre os padres pedófilos, protegidos pela igreja católica em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Essa tira eu fiz em 2002. Não é que o assunto continua atual? Ai!
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Etiquetado: católica, humor, igreja, padre, padres, pedófilo, pedofilia, tira
O Salão Elke Hering, aberto até 18 de fevereiro no Museu de Artes de Blumenau (Mab), prestigia artistas de várias regiões do Brasil, destaca o contemporâneo e valoriza a opinião do público, que pode votar no melhor artista para o Prêmio Especial até 18 de novembro.
Excelente iniciativa dos organizadores, comandados por Rafaela Hering Bell, coordenadora do Museu. As artes plásticas caem bem para os blumenauenses, que, em sua maioria não sabem mexer os quadris. Resta saber o que tem a dizer esse público sobre as obras apresentadas. Já que não dançam na Oktober – pulam – e não fazem teatro, espera-se ao menos que usem o tão aclamado intelecto herdado dos germânicos para avaliar com critério obras visuais e de literatura.
Votei e aguardo ansioso o resultado. As obras já premiadas pelo júri do Salão ficam de fora do Prêmio Especial. Mereceram os três primeiros lugares, e podem ser conferidos pelo público junto às obras que ainda concorrem. Destaque para “Ela me olha do alto”, de Sola Ries, e “sem título, fotografia plotada”, de Sofia Borges.
Dica
Não espere entender uma mensagem (vale ler um jornal para se manter bem-informado antes de ir à mostra). Arte contemporânea é para ser apreciada e, desta forma, brilha muito. Fugir do mundo, não ver o mundo, é a idéia. Para isso, respire fundo, concentre-se nas lembranças mais positivas e pessoas mais queridas, e deixe-se levar pelos corredores do Salão.
O Mab funciona no prédio da Fundação Cultural. O horário de visitação é de segunda à sexta- feira das 8 às 12 horas e das 13h30min às 17horas; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h.
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“Eu não faço questão de prestigiar o cinema”, repeti. Raciocínio da mágoa da minha juventude e da conclusão da infância. Tempos em que minha mãe me prometia me levar ao teatro no final de semana, e, não havendo espetáculo em exibição na Casa da Cultura de Itajaí, queria me compensar com uma sessão de cinema.
“Eu não quero cinema, eu quero treatrinho”, eu dizia. Isso ela conta.
O tal cinema, além de depender de máquinas, nos priva de imaginação. Vem tudo mais mastigado, de maneira geral, em relação ao teatro. Junte-se a isso minha raiva por não haver tantos leitores ou apreciadores de artes visuais ao meu redor, e o incentivo do governo estadunidense para aproveitar o cinema como propagador dos ideais nacionalistas, e está pronto meu discurso pré-fabricado.
Eu gosto de cinema, sim. Mas pra ver como o homem moderno assiste à novela. Vê, se diverte e depois diz que “deu uma passadinha pela sala e viu sem querer”. Assim. Eu nem vi 15 filmes na minha vida, se bobear. Assisto só por falta de opção. Acredite!
Categorias: Arte