
Caio Blat, Tom Zé e até outro Tom. Todos mais valorizados lá fora que aqui. O que faz com que alguns artistas queiram sair do país. Eu não sei de mim, se estiver longe das praias, do carnaval, do abraço brasileiro, do cheiro do samba e do improviso. Mas me chateio com a gente que produz, mas não mostra e não consome.
Segunda-feira, aqui em Blumenau, foi apresentado o projeto para o novo Teatro Carlos Gomes, que terá 1.200 lugares, e não mais 800. Mas só se ouvia falar na disputa do Big Brother Brasil.
Eu vou sair desse confim de mundo, eu sei, mas será que numa metrópole eu posso aproveitar a vida com arte? E o que me complica: se eu sair do país, posso fazer arte? Mesmo longe de bundas expostas, dança, calor e folia?
Não creio. Vou voltar pra minha Itajaí, cidade portuária onde se proliferam as empresas de logística. Bom ambiente pra eu aprender a ser um artista tipo exportação.
Agora tenho três prêmios na minha carreira : um em Miami, um em Nova York, e um em Santa Maria da Feira, Portugal. Quem me dera ser premiado um dia no meu país… (Caio Blat)
Aqui se produz, mas não se mostra e não se consome, eu dizia, provavelmente pela imposição de regras de gente de fora. De repente, alguém por aí nota: essa gente de fora, que não sabe fazer arte, aplica regras cruéis com seus próprios povos, imagina com outro povo, que eles não querem ver crescer!
Também com nossa matéria-prima industrial eles querem nos convencer que não vale a pena usarmos o recurso, porque assim eles podem tomá-lo. Mas pipocam manifestos contra a tomada da Amazônia, e ninguém está nem aí pro jovem artista que não pode produzir porque passa o dia mexendo com máquinas.







