Costa de Souza

Entradas do Março 2008

Arte tipo exportação

Março 27, 2008 · 8 Comentários

mao_exportacao500.jpg

Caio Blat, Tom Zé e até outro Tom. Todos mais valorizados lá fora que aqui. O que faz com que alguns artistas queiram sair do país. Eu não sei de mim, se estiver longe das praias, do carnaval, do abraço brasileiro, do cheiro do samba e do improviso. Mas me chateio com a gente que produz, mas não mostra e não consome.

Segunda-feira, aqui em Blumenau, foi apresentado o projeto para o novo Teatro Carlos Gomes, que terá 1.200 lugares, e não mais 800. Mas só se ouvia falar na disputa do Big Brother Brasil.

Eu vou sair desse confim de mundo, eu sei, mas será que numa metrópole eu posso aproveitar a vida com arte? E o que me complica: se eu sair do país, posso fazer arte? Mesmo longe de bundas expostas, dança, calor e folia?

Não creio. Vou voltar pra minha Itajaí, cidade portuária onde se proliferam as empresas de logística. Bom ambiente pra eu aprender a ser um artista tipo exportação.

 Agora tenho três prêmios na minha carreira : um em Miami, um em Nova York, e um em Santa Maria da Feira, Portugal. Quem me dera ser premiado um dia no meu país… (Caio Blat)

Aqui se produz, mas não se mostra e não se consome, eu dizia, provavelmente pela imposição de regras de gente de fora. De repente, alguém por aí nota: essa gente de fora, que não sabe fazer arte, aplica regras cruéis com seus próprios povos, imagina com outro povo, que eles não querem ver crescer!

Também com nossa matéria-prima industrial eles querem nos convencer que não vale a pena usarmos o recurso, porque assim eles podem tomá-lo. Mas pipocam manifestos contra a tomada da Amazônia, e ninguém está nem aí pro jovem artista que não pode produzir porque passa o dia mexendo com máquinas. 

Categorias: Arte

Bem-vindo, outono!

Março 22, 2008 · 5 Comentários

outono5001.jpg

Caem as folhas
Sobem os lençóis
Grudam-se os corpos

Guarde a praia e viremos concha.

Categorias: Quadros
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Feliz Páscoa!

Março 16, 2008 · 7 Comentários

pascoa500.jpg

Categorias: Humor gráfico

Roqueira

Março 13, 2008 · 4 Comentários

roqueira400.jpg

Gira, fecha-se e eu abro
Os olhos e os braços por uma resposta
Um dia perguntei a uma desconhecida
Sobre mim, assim, numa festa

Ela canta como se rock fizesse sucesso

Eu perguntei o que deveria deixar pra sugerir dias depois
Fui muito mais negado que por mim mesmo

Parem de perguntar a ela
O que veio fazer aqui
Deixem rolar a guitarra no vestido
Por baixo

Não é hora pra roubar do bar
A menina que queres pra ti
Bardo, tu viste a raridade
Deixe-a de olhos fechados
Ela dança melhor que um beijo

Categorias: As indecorosas

Metida

Março 10, 2008 · 4 Comentários

bandeirinha500.jpg

Mande calar, parar, as meninas submissas

Que saiam da linha como tu

Ao beliscar os shorts lá onde tu sabes

Que esses dez mil querem estar

 

Tremula, agita pra mim

Tua bunda

Pra tentar me impedir

 

Em vão. Eu não tenho juízo

Mas siga apitando no sexo delas

Demonstrar autoridade com um pau na mão

É o bem maior das indecorosas

 

Sorria, desfile, que todo estádio fica bem de sambódromo

E tua bateria dita

Quem é homem na multidão

Se não te dão atenção, me desculpem

Mas eu só dou bola pra ti

E deixo até pegar com a mão

Categorias: As indecorosas

Pedaço de fêmea

Março 6, 2008 · 6 Comentários

Feliz aniversário! E entregaram um buquê de flores. Foram dias esperando a surpresa da turma do trabalho, agora virada em decepção. Depois uma amiga falou que eram cravos e que eles são flores de homem. Eu quis que os cravos nunca tivessem existido.

O buquê era grande demais pra que eu escondesse de quem passava na minha sala durante o dia. Por ser meu aniversário, não tinha como negar que as flores eram minhas. A turma do trabalho é formada por sete mulheres, um veado e dois homens. Uma vez, uma namorada minha me levou flores no trabalho. Eu pedi pra que ela não fizesse isso de novo, mas esqueci de avisar pra todo mundo que eu me senti neutro, estranho, atravessado.

Uma flor em casa, tudo bem. Um buquê no trabalho faz o homem passar o dia todo pensando por que as mulheres são tão diferentes. Por que eu, dedicado às artes e amante do amor, sinto vontade de jogar essa maciez vermelha no lixo?

Desisti de atender na minha sala. Fui comer um pão de queijo. Sem as flores, claro, pelamor. Vou sair daqui pelo caminho mais deserto e sinuoso e deixar as flores numa árvore. Alguma mulher será grata por isso. Não, se é pra satisfazer uma mulher, vou aproveitar pra divulgar minha imagem romântica e entregar pessoalmente as flores à primeira desconhecida que passar por mim. Melhor, à primeira desconhecida com coxas ou peitos que mereçam a homenagem.

- Olá, estas flores são pela tua beleza!

Credo! Passo por desconhecidas gostosas todos os dias, olho pra elas, desperto-lhes a auto-estima e não recebo nem um sorriso. Vou entregar flores agora? A raça masculina me mata. Eu mataria um que fizesse isso.

Como vou andar com isso pela Sete de Setembro? Nunca, nunca, me dêem flores no trabalho. Por que eu? Em todo aniversário, eu sempre dei os três reais que me pediram. Todo mundo saiu contente. Deve ser meu último aniversário na empresa, e agora essa.

Mulheres, eu não entendo vocês. Sei que gostam de flores, e quando a grana dá, eu dou. Mas, por mais espertinhas que sejam, não me entendam também. Eu imploro! Não me dêem flores.

Categorias: Crônica

Semana da Mulher

Março 3, 2008 · 7 Comentários

didone1.jpg

De todas as boas datas comemorativas do ano, esta é a preferida do Texto Decorado. Sábado tem o Dia da Mulher, aquela data em que os moleques perguntam “cadê o dia dos homens” e os homens parabenizam as mulheres.

Os motivos pra só elas receberem os cumprimentos jamais caberiam num post, mas comecemos por um deles. O de final de semana.

Eis que meu amigo de 50 anos e mais um pouco está sentado num bar da Rua Antônio da Veiga, em Blumenau. Passo por ele e pergunto como vai ser o final de semana. A tarde de sábado está começando e os copos de cerveja estão cheios. O dele e os dos amigos.

- Cervejinha agora, numa boa, e depois sono, né? – diz, alegre, como se fosse o melhor momento da semana.

Os homens, satisfeitos em cumprir o papel social de empregados, jogam o fim de semana fora e nem se importam. As mulheres sabem que o trabalho é que joga nossa vida fora e, por isso, os momentos de lazer devem conter as experiências inesquecíveis.

Alguém sabe outros motivos? Sugira. Vamos debater e desenhá-los.

Categorias: Outros posts