Com muito empenho, comecei a me aventurar pela arte abstrata, e perceber o quanto ela é mais difícil e mais fascinante. O único problema é público. No meu flickr , o devaneio ficou esquecido entre as caricaturas e as mulheres pintadas, muito mais visitadas. O mesmo clima das expoisções de arte em Blumenau. Em compensação, vi nesse final de semana uma exposição de fotos sobre a Oktoberfest, na Vila Germânica, com o público parando pra comentar as fotos e apontar as que mais gostaram.
A tal referência ao real ainda dá mais demanda que a fuga. Nunca ganhei um centavo por uma ilustração abstrata. Ninguém pediu. A caricatura é como o funk carioca que faz sucesso agora. Dá pra rir na primeira audição, mas depois fica chato. O humor só serve à primeira vista, mas incrível como as pessoas pedem para repeti-lo!
É uma delícia ver as meninas dançando esse novo funk, mais rapper que o original. Mas melhor mesmo é vê-las dançando jazz. Algumas talvez até queiram essa mudança, mas seriam expostas ao ridículo no meio de uma festa. Como estamos virados em achar qualquer manifestação de sentimento ridícula, reprimimos as nossas. Depois, para podermos nos divertir, precisamos do riso na dança. O riso, vocês sabem, nada mais é do que um pulo para tornarmos o outro ridículo, tornarmos menor o que era superior. Se o outro tem habilidade para mexer com o corpo, vamos inferiorizá-lo para podermos nos sentir fortes.
Na dança ou nas artes visuais, o que vale hoje é um remédio para o mal estar da nossa falta de criatividade.
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O fodão da pintura abstracionista no Flickr é o Calebmiles
Veja uma boa apresentação de coxas – digo, de jazz – aqui
Ria da arte abstrata, com Pedro Cardoso, Luiz Fernando Guimarães e Evandro Mesquita, aqui
Veja Jonas Gerard pintando ao vivo aqui
Ria de uma boa dança caricata aqui (observe nos related videos quanta gente faz igual e ainda tem a capacidade de gravar e postar).



4 respostas Até agora ↓
Marina // Maio 4, 2008 às 2:03 pm
parecer ridículo é uma das únicas sensações que é altamente divertida na solidão e altamente broxante na presença de pessoas. mas faz parte. (e eu prefiro o jazz!)
mona lisa budel // Maio 5, 2008 às 3:47 am
O abstrado é sempre dificil.
Passar uma emoção, uma história, uma sensação, sem usar de formas conhecidas e
pré-estabelicidas definitivamente é um caminho de muito trabalho e experimentação.
Entender que arte não se faz só de figuras e retratos é sensibilidade e aí mais que experimentação e ter um olhar livre de preconceitos e aberto ao novo e a sensações desconhecidas …
só espero não encontrar funk no abstrato .. .
DuDu // Maio 6, 2008 às 2:23 pm
Eu sempre pareço ridiculo…
estou acostumado!
Ana Carolina Lima Braga // Maio 6, 2008 às 11:26 pm
Poxa Dani, eu entendo essa sua angústia …
Mas sabe o que eu acho? Sempre achei que temos que degustar a arte e não comê-la somente! O que eu quero dizer é que são poucas pessoas que sabem ”degustar”, entende? A maioria apenas ”come”. E é evidente que é muito mais fácil “comer” um funk ou uma caricatura. Uma arte abstrata ou um jazz, para alguns, podem até causar indigestão! =P Infelizmente …
Beijos!