Costa de Souza

Qualquer cantinho

Maio 22, 2008 · 3 Comentários

Falava em se divertir, cumprimentava todo mundo, mas gostava de Blumenau. Desafiava meus conceitos. Com ele, eu me via falando “transar com duas mulheres ao mesmo tempo”, bem alto, no terminal de ônibus. Inesquecível.
_O negócio é não ligar pra essa gente conservadora e ser feliz.
Pra isso, gostava de botar a mochila nas costas e ir pro litoral. A cama podia ser um gramado ou um banco de praça. O importante, pra ele, é poder dizer que se aventurou.
Eu sabia que ele teria um conhecimento diferenciado pra me passar antes que eu comece a fazer as aventuras que prevejo pra este ano.
_Vem cá, mas como é que tu faz pra pegar mulher? _ pergunto.
_Ah, qualquer cantinho.
_Mas elas não gostam de um cantinho na primeira vez.
_Elas gostam da tua atitude. Tu tens que dizer: não tenho carro, não moro aqui, mas quero transar contigo. Eu chego assim pra elas, ó: vamo comigo ali no matel?
“Matel” foi a grande descoberta do meu ano de viagens, e o  operário de indústria foi um dos maiores filósofos que conheci em Blumenau.

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