Costa de Souza

Direto da redação

Junho 11, 2008 · 7 Comentários

Honra

Hoje virei personagem da coluna do Fabrício Cardoso no Santa. Nada melhor para um experimental do que ser reconhecido publicamente, ainda mais nas páginas de um jornal, para os arquivos da eternidade, céu da minha religião. Ainda mais quando minha fala é lembrada para causa tão nobre quanto o raciocínio de que as mulheres, quando pedem para que bebamos álcool, querem só o desafio de nos influenciar mais tarde.

“Não sei se meu amigo ainda madruga para, seminu, se contorcer sobre uma toalha estendida no chão. Porém, o cara exibe a paz quase irritante de um praticante de ioga.” leia o texto na íntegra aqui

Eu me contorso seminu, mas sobre um eveá. De madrugada? Quase (umas onze da manhã).

Burguesia

Primeiro, cartas chegam à redação criticando a reportagem sobre os homossexuais em Blumenau, brilhante trabalho de Magali Moser publicado nas edições de 17, 19 e 20 de maio no Santa. Gente dizendo que deveríamos valorizar a relação heterossexual, valorizar a estrutura familiar. Depois, ninguém fala da reportagem sobre os bóias-frias, trabalhadores que comem, mijam e cagam na rua por falta de apoio da prefeitura de Blumenau. A foto brilhante do Jandyr Nascimento, que teve a idéia da pauta _ eu fiz o texto _ saiu na capa deste fim de semana. Agora, eu já ia lançar uma aposta: a de que vai chover cartas falando mal dos andarilhos do Parque Ramiro Ruediger, na matéria publicada hoje. Mas já saio ganhando a aposta,porque o mural sobre o assunto no site trouxe a seguinte opinião:

“acho que deveria haver uma soluçao para isso pois quando estamos com nossas familias eles vem e pedem dinheiro e cigarro isso fica chato poiss trabalhamos tanto para sustentas nassa familias e pessoas desse tipo fazem nossa crianças pensarem que se ficarem sem emprego poderao pedir coissas as pessoas e seria mais facil do que trabalhar é um mal exemplo para a sociedade e turistas”

Depois não sabem por que eu digo que Blumenau é burguesa demais pra mim.

- Eu pedi água numa casa em que me disseram “não, eu uso porque eu pago” – Gilson Clóvis May, pedreiro

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7 respostas Até agora ↓

  • Fábio Ricardo // Junho 11, 2008 às 5:51 pm

    Parabéns pela menção em crônica no Santa. Realmente, além de ser uma ótima descrição sua, é uma conversa que jah tive milhares de vezes. Pq as pessoas (em especial as mulheres) cismam tanto em nos mudar?
    Joguinho doentil, esse.

  • Fabrício Cardoso // Junho 11, 2008 às 9:22 pm

    Fábio, obrigado por elogiar minha descrição do nosso praticante de ioga sobre eveá.

  • Thiago Floriano // Junho 12, 2008 às 11:25 am

    Sobre o tema da coluna do Fabrício, já sabes minha opinião. Quanto ao caso dos pedintes, é uma tristeza. As pessoas acreditam mesmo que andarilhos são pessoas que não trabalham porque não querem. Em alguns casos até podem estar certas, mas na grande maioria, esquecem de uma série de fatores sociais que os levou a essa realidade.

  • Gio Ramos // Junho 13, 2008 às 7:21 pm

    Em primeiro lugar destaque para a presença do Fabrício Cardoso, blogueirro nato que ainda não abriu um blog, deu as caras por aqui. Em segundo eu acho que o Daniel é um pé-de-cana que finge não beber!

  • Labes // Junho 17, 2008 às 6:41 pm

    Eis a tão realidade blumenauense, meu caro. Agora, me diz uma coisa: porque eu não consigo para de rir ao ler a respeito disso? Não fico mais chocado com essa imaginada astúcia burguesa (tenho água porque pago), com esse ranço de classe média em decadência, com o enxaimel, com a ordem e o progresso, com as flores do PFL…

    Fodas.

    Enfim, Falações está pra sair. Te espero por lá.

    Abraço.

  • Larissa // Junho 20, 2008 às 1:01 pm

    Muito boa a crônica.
    Eu não sei muita coisa sobre Blumenau, fui duas vezes pra lá só. Mas sei lá, vivi em Lages quase minha vida toda e te digo que tem coisa muito pior por lá.
    Conversa para outra hora.

  • Raffael do Prado // Julho 11, 2008 às 11:09 pm

    Meu camarada, que descrição fantástica. O Fabrício, mais uma vez, nos faz penetrar os olhos no jornal de quarta. No primeiro dia de jornal o Daniel já era apelidado de “barrinha” pelos maldosos fotógrafos da velha guarda.

    Essas mulheres nos deixam cheios de interrogações. Em época de facul, bebem, entortam…um tempinho depois, já formadas alegam que a imagem de profissional exige boa postura. Nos phodem, mais uma vez…..abraço

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