Sentado do lado de uma lindinha que não me deu oi e a quem não dirigi um ai, viajei por quatro horas na manhã de sábado e cheguei aos pinheiros e à gripe em Curitiba. Gripe do ar condicionado, agravada pelo ar seco da metrópole mais próxima da minha terra. Muito bem recebido pelos meus primos, andei pelo centro, assisti a duas peças, perdi o medo de andar sozinho numa cidade grande e descobri o que quer dizer Curitiba.
Pros indígenas, a palavra significa “muito pinheiro”. Pra mim, uma cidade com muitas oportunidades de trabalho, uma gente desconfiada e um ar de inverno capaz de intimidar meus planos de morar lá pro resto da vida.
A viagem foi a primeira de uma série em que pretendo responder o que me intriga há três anos, desde que vim pra esse verão infernal de Blumenau: onde eu poderei morar pagando o financiamento de um apartamento, em vez de pagar aluguel?
Gente
O povo é uma mistura que eu nunca tinha visto. Muitos pardos, com uma ou outra marca de japonês, índio ou negro, mesmo que a cor da pele seja outra. O medo é constante. As gurias tratam o homem como um estuprador em potencial, a menos que alguém de confiança o apresente muito bem. O taxista que não conversa me fez pensar: eu devia ter pegado um ônibus. Sim, porque a vontade de conversar sobre Curitiba foi um dos motivos pelos quais eu paguei mais caro a ida à rodoviária. O taxista de Blumenau não me deixou quieto. E eu pensava que o povo aqui do forno era antipático!
Clima
Seco e gelado direto na garganta. Gripe no final da tarde que deve persistir ao longo da semana. No final de semana, previsão de ficar sem voz.
Mulherada
Extravagante. Ponto.
Mercado de trabalho
Se eu quisesse viver de fazer caricatura na praça, tava feito. Não só pela quantidade de praças movimentadas, mas porque é fácil desenhar a maioria dos curitibanos. Pra arte, parece que pelo menos a pintura e o teatro têm espaço e incentivo. Pra jornal, uma grande rede da RPC foi só o que percebi. Pra assessoria de imprensa, um prato cheio.
Alfinetada
Viajei de volta pra casa ao lado de uma menina que vinha de um passeio na Bahia. Diz que já conhecia o litoral de lá e confirmou que o verão de Blumenau é pior. Até agora ninguém com conhecimento de causa me disse o contrário, ou sequer declarou empatada a disputa entre o Nordeste e o Forno.



4 respostas Até agora ↓
Fábio Ricardo // Setembro 2, 2008 às 4:27 pm
legal essa tua idéias das viagens, cara… acho que tu vai acabar aprendendo um monte sobre esse nosso brasilsão de tantos sotaques e feições.
Larissa Guerra // Setembro 3, 2008 às 12:47 am
Ai amei Curitiba! Fui pra lá há uns meses com 0o namorado e cheguei a conclusão que preciso morar lá depois de formada!
Beijos
camila // Setembro 5, 2008 às 12:39 am
Dani:
Você escreve muuuuito, cara!!!
Larissa Tietjen // Setembro 11, 2008 às 3:47 pm
Blumenau é BEM MAIS quente que as cidades litorâneas do Nordeste. Fato. Também estive na Bahia.