Costa de Souza

Entradas do Dezembro 2008

Ela tá como sempre

Dezembro 12, 2008 · 4 Comentários

Sei que os homens delas vão ser grandes, companheiros
E outros homens menores passarão a ser pra acompanhá-los
Mas ela tá como sempre
Sempre como ela
Ela vem na mesma rua
Nua e bela
E me aquarela

Sei que os homens vão ser novos e eu, primeiro, nunca o próximo
As velhas são as outras, não mais essas porque eu te amei quando criança
Nunca o próximo. O mesmo. Sempre como ela.

“Bom te ver, saudade”, apela. Eu não sou mais com saudade, sou só eu aqui com ela
Acompanhada

Nada, não foi a gente, era só brincadeira quando o rosto era também um bocejo.
Agora dorme. Fizeste muito. Tens companhia. “Saudade”.

Está no meu saite, canta na naite, professora, artista, toda ela sempre a insana da família
A filha errada, a foto nossa não vem na mão porque a gente não tinha
Responsabilidade

A gente tem idade pra ser mãe. Agora vai mulher e quero ver como venho.
Tenho corpo pra ser eu e tu tens outros, um preso e um solto, um riso velho e um rosto.
A gente não tirou a foto pra comparar. A gente não para. Mas debaixo do violão, do cálice, da casa, resta a areia de sempre, a mesma rua, a gente se encontra de velho, se posa de novo, eu te acho como sempre e te perco como nunca.

Categorias: Poesia
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Salsa em azul

Dezembro 9, 2008 · 6 Comentários

Acrílico sobre tela – 4 e 5 de dezembro.

Categorias: Quadros
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Bandeira do amor

Dezembro 3, 2008 · 2 Comentários

Publiquei aqui um poema pra estimular o Vale a se reconstruir, agora o excluí. Fiz o mesmo com meu álbum de belezas da minha terra no Orkut. Continuo ansioso por um futuro melhor, mas estou no meio de um ufanismo perigoso em Blumenau. Palavras de “amo minha terra” eu deixo pras linhas quase sempre mal-traçadas do Lindolf Bell, mais publicitário que poeta. Os problemas da cidade continuam e contrastam com minha dor ao pensar no prejuízo da enchente.

Reconstruir não é levantar bandeira, que ela sempre serviu só pra guerras. Enquanto houver alguém que diga “eu amo Blumenau”, eu vou pensar “eu tenho que ajudar este povo, mas eles nem lembram que minha terra natal também foi prejudicada e tem bem mais gente que precisa de ajuda”. E vai ter gente lá fora que pensa “eu tenho que mandar comida, mas eles nem lembram que eu estou ajudando”. Gosto de Curitiba, de São Paulo, agradeço os descendentes de índios e negros de lá pela ajuda à economia de Blumenau, e lembro com pesar a morte dos povos indígenas do Vale, que tratavam a terra com mais carinho que o atual povo miscigenado que habita a cidade. Mostraram, todos, a importância de amarmos as pessoas e o meio ambiente, o que mais precisamos agora.

Reconstruir é retomar a vida sem se abalar. Ajudar com boas pitadas de confiança na importância de sua profissão para o bem do povo, e passar a observar melhor o mundo. Para isso as bandeiras só atrapalham, e pior que as nossas são as que se tomam emprestadas de povos que não mandam imigrantes pra cá há mais de século.

Categorias: Vale do Itajaí - SC
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