Costa de Souza

Entradas do Fevereiro 2009

Pedra fundamental

Fevereiro 26, 2009 · 3 Comentários

A presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Marlene Schlindwein, recebeu nosso grupo hoje no auditório Carlos Jardim e prometeu disposição para lutar pelas causas apresentadas. Basicamente, foram oito temas debatidos:

1. Nomeação de equipe com conhecimento técnico – A presidente lamentou reduções nos cargos e diz já ter procurado o prefeito para lutar por contratações, mas até agora sem respostas positivas. Há três cargos de diretoria (administrativo, cultural e museu & patrimônio) que ainda vão ser nomeados. De acordo com a presidente, a capacitação técnica será essencial para a escolha.

2. Publicação do balanço financeiro no site da Fundação – será feito se houver possibilidade dentro da estrutura do site, de acordo a presidente.

3. Manutenção do Fundo Municipal, com aumento gradual das verbas – O prefeito sinalizou com a manutenção da verba do ano passado para 2009 (R$ 300 mil). A promessa de campanha é de subir o valor para R$ 900 mil. Ouvimos o argumento de que este ano isso seria inviável deivdo à recuperação pós-enchente, mas vamos continuar cobrando a promessa nos próximos anos.

4. Criação de uma Lei de Mecenato – a assessora jurídica da Fundação diz que caminhamos para isso, mas ainda sem datas previstas ou ações concretas por restrições no orçamento.

5. Estabelecimento de critérios e editais para publicações pela Editora Cultura e Movimento – presidente vai procurar meios para criar uma verba fixa para a editora para solucionar o problema da fila de publicação, que hoje tem oito autores. Os editais foram descartados porque não há verba prevista, e os critérios, em princípio, continuarão os mesmos, dentro das análises do conselho da editora.

6. Reforma do Auditório Carlos Jardim – Em março sai a resposta da Câmara sobre o projeto de reforma do telhado, no valor de R$ 55 mil (cobremos, pois, dos vereadores!). Depois dessa reforma, a presidente pretende ir atrás dos recursos para outros itens de um projeto de reforma geral no auditório, que está em mãos da Fundação. O teatro corre risco de incêndio e o palco pode desabar a qualquer momento. É o único espaço em que os artistas locais podem participar sem pagar aluguel.

7. Implantação de oficinas pelo Museu de Artes de Blumenau e contratação de monitor capacitado para organizar eventos e exposições no Museu – a presidente voltou a se queixar de falta de vagas para funcionários na Cultura, ao que o diretor de teatro Roberto Murphy sabiamente respondeu: “não podemos parar por aí. É preciso questionar por que não podemos botar em prática todas as nossas idéias, se a cultura é fundamental para o desenvolvimento da cidade, ou toda essa discussão não fará sentido”. A presidente concordou e prometeu lutar pela contratação de um monitor e verbas para as oficinas.

8. Exigência de contrapartidas sociais para o Teatro Carlos Gomes – A presidente do Conselho Municipal de Cultura (reeleita ontem), Noemi Kellermann, argumentou que essa discussão deve ser levada para a direção do Teatro, e não para a Fundação. O grupo concordou e Noemi vai assinar a reivindicação oficial com o pedido do grupo, em nome do Conselho e da assembléia formada hoje. A presidente do Conselho elogiou a inciativa, já que foi a primeira vez que se questionou publicamente uma contrapartida social para o TCG. O Teatro recebe isenção de impostos e arrecadou R$ 50 milhões em dinheiro público para sua ampliação, mas cobra caro dos produtores locais pelo aluguel do espaço, o que inviabiliza o uso da estrutura para a Temporada Blumenauense de Teatro e prejudica o Festival de Teatro Universitário de Blumenau (Fitub).

Mesmo sem constar no documento apresentado, outro item foi mencionado: a realização de um concurso público para funcionários da Cultura. A presidente reconhece que faz muito tempo que não se faz concurso para a área e que vai lutar por isso.

Ao final do debate, vários artistas mencionaram a idéia de se unir em forma de ONG para captar recursos e fomentar a produção local. A idéia reverbera aqui, em mim, e me agita. Foi um grande dia!

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Convite

Fevereiro 25, 2009 · 5 Comentários

Reunião com a presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Marlene Schlindwein

Convidamos todos os artistas, produtores culturais e cidadãos a participarem da reunião agendada para esta
Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
às 16h30
na Fundação Cultural de Blumenau

…onde serão apresentadas à presidente alternativas para o fomento da produção artística na cidade nos próximos anos. Entre as pautas estão o Fundo Municipal de Cultura, o uso do Teatro Carlos Gomes, a reforma no auditório Carlos Jardim e a vocação do Museu de Artes de Blumenau.

Compareça e ajude a Cultura!

“Considero que a visita dos artistas , produtores culturais e simpatizantes, organizada e prevista para a próxima quinta feira é o que melhor se poderia oferecer para a Sra. Marlene Schlindwein que pareceu-me querer ouvir e aprender ; e a sua sinceridade ao dizer que nada sabe sobre o ofício pode ser harmonizada com toda a ajuda que possamos dar a nova presidente.”

Noemi Kellermann, presidente do Conselho Municipal de Cultura

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Salsa em vermelho e amarelo

Fevereiro 17, 2009 · 4 Comentários

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Acrílico sobre tela – 60 x 30 cm

Esta foi a primeira tela que valorizou uma composição abstrata, que ocupa a maior parte do quadro, mesclada aqui com uma dançarina de salsa. A mulher eu pintei com base em uma foto.

A paleta eu fiz de novo com poucas cores, e usando alto contraste. A ideia é que o movimento comece lá no dia em que a dançarina foi fotografada, passe pelo meu braço e termine quando o espectador passa pelo ambiente e volta o olhar para a tela (ou quando ele para e sente a mulher dançando mais do que na foto). Linhas diagonais, cores puras e fortes, contraste e o registro do movimento em forma de flagrante fotográfico são itens que exploro pra buscar essa “corrente de movimentos”. É suado e demorado, mas eu chego a uma exposição!

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Arte fora do Turismo

Fevereiro 13, 2009 · 3 Comentários

O grupo Frente da Cultura, formado por artistas de Florianópolis, obteve hoje uma resposta positiva para o pedido de que a Fundação Franklin Cascaes, entidade cultural da ilha, continuasse autônoma, e não subordinada ao Turismo, como queriam alguns estadistas.

A resposta veio em reunião com o prefeito Dario Berger, na qual foram apresentadas as assinaturas colhidas pelo grupo em prol da causa.  Toda a ação foi divulgada pelos e-mails do grupo. Quem estiver interessado em ficar a par das notícias da Frente pode escrever para frentedaculturasc-subscribe@yahoogrupos.com.br

Por aqui 

A Secretaria de Turismo deu exemplo ao prorrogar as datas de apresentação da Confraria do Samba nas rodas de samba da Vila Germânica. O evento vai além da Sommerfest, no qual estava inserido, e continua até o final de março, sempre nas quartas-feiras. O último show animou a escolha da rainha do carnaval de Blumenau, que aliás elegeu a belíssima e ótima sambista Michele David. Mas não confundamos as coisas. Falar que  a Secretaria de Turismo deve incorporar a cultura é uma afronta aos cidadãos. Evento pra elevar o ânimo do povo não é suficiente.

Arte, aquela da qual nenhum homem de confiança do JPK parece entender, exige dedicação e conhecimento pra dar ao povo a chance de se conhecer além dos atos cotidianos.

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Agenda Blumenau

Fevereiro 10, 2009 · 1 Comentário

Amanhã, às 20h, na Fundação Cultural, a companhia Pé de Vento, de Florianópolis, encena “De malas prontas”. A comédia traz duas atrizes com muita técnica na expressão do corpo e no tempo das piadas. Tudo sem texto. A história se desenrola a partir da disputa por espaço num banco de aeroporto.

Pelo menos quando assisti à peça, há quatro anos, elas apelavam para alguns exageros que provocavam riso barato, o popular “humor pastelão”. Mesmo assim, dá pra aproveitar 90% do espetáculo.

O ingresso custa um quilo de alimento ou um brinquedo. A promoção é do Sesc.

Nestor Jr. no Wollstein

O ilustrador Nestor Jr. expõe seus trabalhos dia 19, a partir das 20h, no Butiquim Wollstein, na Rua Floriano Peixoto. O quarteto Duda Kassler Jazz faz o som ao vivo.

Nestor desenvolveu um esitlo próprio a partir da distorção da figura humana. Aperitivos das obras estão no Flickr do artista. Vale uma pena grandona vê-las ao vivo.

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Sem brincadeira

Fevereiro 10, 2009 · 1 Comentário

O amigo blogueiro Fábio “Sábio” Ricardo trouxe uma provocação à provocação no seu comentário ao post “Caríssima Dona Schlindwein”:

“Só não concordo com uma coisa: com arte se brinca, sim.
Com arte não se administra, isso sim! Colocar a arte num padrão de burocracia administrativa e esquecer que ela envolve muito mais que politicagem é foda.”

Respondeu, assim, ao meu pedido para que a presidente da Fundação Cultural explique ao prefeito que “com arte não se brinca”, já que a nomeação de Marlene para o cargo me pareceu (e parece) um descaso.

O que o Fábio chama de burocracia, no entanto, entendo como sociologia. A arte ocupa papel fundamental na política, que em Blumenau é gerida pelo prefeito.

Em “A desumanização da arte”, do espanhol José Ortega y Gasset, disponível na Biblioteca Pública Municipal, o autor explica muito bem esse papel.

“A arte atua, pois, como um poder social que cria dois grupos antagônicos (…) é que ela divide o público nestas duas classes de homens: os que a entendem e os que não a entendem”.

O autor coloca a arte como impopular, porque a massa não a entende. Mas no desafio reside o mérito. Temos pessoas belas na cidade porque a beleza é um valor estabelecido. Quando a arte tiver tantos apreciadores quanto merece, teremos também pessoas inteligentes. O autor continua:

“Aproxima-se o tempo em que a sociedade, desde a política até a arte, voltará a se organizar, segundo se deve, em duas ordens ou categorias: a dos homens egrérios e a dos homens vulgares” 

Quanto investimento se perdeu! Quantos traficantes se formaram, quantos adolescentes não prestaram atenção na aula por mais que se invista em educação, quanta fluoxetina se tomou porque a arte não foi levada ao povo? Quantos rumos certos deixamos de tomar por não termos a arte para nos questionar e ajudar a descobri-los? Quantas mulheres apanharam porque o marido nunca visitou uma exposição? Quanto preconceito se incrustou na sociedade e nos impediu de aceitar o outro, de ser mais feliz, por chegarmos ao final de semana quase sempre sem uma peça de teatro sequer para assistir ou por termos como leitura apenas o livro que diz que a cidade é uma maravilha?

Bem sei, Fábio, que o “brincar” pode dar um sentido lúdico e belo à arte, mas na questão política ele fere os direitos de todo cidadão, principalmente dos que querem o bem de Blumenau.

Vale a pena ler

“Ouve a gente, Dona Marlene”, crônica de Marcelo Labes.

“Homenagem”, poema de Rodrigo Oliveira

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Caríssima Dona Schlindwein

Fevereiro 5, 2009 · 11 Comentários

Marlene,

Somos reféns desse esquema de botar em cargos públicos quem o partido amigo pede. Pede não, manda. Na sua pasta, a da Fundação Cultural, acaba de se despedir um senhor bem pouco feito às artes, assim como a senhora, e do mesmo partido que o seu. O que ele fez? Não, não é falta de conhecimento seu na área artística. Eu também não sei o que ele fez.

Engraçado. Por que o prefeito nomeou o José Bahls de Almeida para o Turismo, e não a senhora? Afinal, a senhora deve ter viajado bastante e sabe o que é bom de se ver quando se chega a uma nova cidade. Isso basta, não? Isso é um grande passo pra se administrar o Turismo na cidade.

Deve ser difícil pra senhora estar prestes a assumir a administração da Fundação Cultural de Blumenau, um emprego em que a senhora mesma disse que não sabe o que fazer. Diga que acha engraçado! Nem precisa rir. Só dizer. Me conforta.

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É um prefeito que cospe na arte, sim, Dona Marlene. Mas, como disse, somos reféns, e juntos. Ouvi dizer que a senhora vai chamar assessores. Sua humildade é um sinal que ainda há o que fazer para reverter a lambança. O que precisamos?

Tudo o que pede o  Conselho de Cultura e mais um pouco.

Discutir os problemas e debater soluções com participação dos artistas. A senhora sabe lidar com o povo e com debates, não é, Dona Marlene?

Não deixe o Museu de Artes de Blumenau jogado enquanto viaja pelo Estado, como fez o Seu Ivo! Cheguei lá no museu e era um artista voluntário que estava abrindo e fechando as portas todos os dias. Não deixe que os valentes que ainda vão ao museu tenham que presenciar isso!

Dê uma olhada na literatura bairrista que vai pedir dinheiro na Lei de Incentivo. Ela não melhora a gente.

Ajude o Festival de Teatro Universitário! Dê uma verba digna, pague os atendentes que cuidam dos ingressos. São todos voluntários também. É luta demais, e o reconhecimento ao festival já veio. Está na hora de investir nele.

Interfira para que os artistas possam se apresentar mais no Teatro Carlos Gomes. É belíssimo, e nem precisa parar as formaturas pra colocar uma peça lá de vez em quando. Lembre-se: ele vai ser reformado com dinheiro do povo!

Ouça os artistas, Dona Marlene! E, se um dia, numa conversa mais amena, o prefeito estiver animado com os resultados, explique pra ele que com arte não se brinca.

Sucesso!

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