
Li um artigo de Maicon Tenfen hoje que é um tapa na cara de Blumenau (dê uma olhada nele ali embaixo). Vai sempre ter quem diga: se não gosta, vai embora. A genialidade do texto está exatamente em associar esse pensamento ao fascismo. Quem sabe com ele Blumenau aprenda que está indo pra longe do prazer e em direção à dor desde a chegada do Hermann. O Hermann não queria nada com a gente, já foi embora e ainda não fundamos nossa cidade. Maicon explica.
Tudo começa quando os vereadores sugerem uma lei para obrigar os cinemas a transmitirem propaganda dos programas do governo antes dos filmes, com o argumento de que na TV não se atrai a atenção porque o povo muda de canal e ali todo mundo está mais “disposto”. Sim, a lei tramita na Câmara e tem gente que apoia. Aliás, tudo começa muito antes:
Fascismo em Blu
Maicon Tenfen
Blumenau é uma cidade fascista. Eu e você sabíamos disso há algum tempo, mas carecíamos de fatos mais concretos para argumentar. O projeto de lei que trata da exibição de campanhas da prefeitura nas sessões de cinema veio para preencher essa lacuna. Ele é o coroamento de uma série de atos públicos que, somados à incrível capacidade de varrer as favelas para debaixo do tapete, fundamentam o nosso apego à padronização e ao totalitarismo.
No ano passado, a aprovação da “inocente” lei que OBRIGA a execução do Hino Nacional nas escolas do município já indicava a crença mussoliniana de que o Estado se encontra acima dos indivíduos. Foi a resposta da Câmara a uma ideia meio tacanha de nacionalismo que existe em nós: lutamos pelo futuro da nação, somos bons, disciplinados e trabalhadores. O canto de gratidão à Pátria é um símbolo dessa “superioridade”. E dê o fora quem não se encaixa no perfil!
Pouco antes, num óbvio cerceamento das liberdades civis (outro componente fundamental do fascismo), a prefeitura decretou o fim das atividades circenses nos semáforos. “Por que esses vagabundos não arrumam um emprego?”, pergunta a sociedade nas entrelinhas da lei. E isso faz mais sentido quando lemos o que está escrito na frente do Presídio de Blumenau: “Aqui se trabalha”. Ou seja, não há malandros, nem mesmo entre os condenados pela Justiça.
Aparentemente distantes umas das outras, essas leis se complementam numa lógica que coincide com a sabotagem do setor cultural. Parafraseando o nazi-fascista Goering – “Quando ouço a palavra cultura, saco meu revólver” –, a atual gestão da prefeitura, conforme admitido publicamente, usou cargos da área cultural para condecorar aliados político-partidários. E agora, para completar o quadro do desastre, aparece essa lei da propaganda pública nos cinemas.
Algumas pessoas demonstraram preocupação com o custo de se produzir material publicitário para a tela grande. Acho que o problema é infinitamente maior. De aparência boba e meio folclórica, a proposta do vereador Antônio João Veneza de Souza (DEM) confirma uma tradição autoritária que, mesmo na era da democracia, insiste em permanecer na cidade. “No cinema não dá pra trocar de canal”, disse Veneza, e assim traiu a natureza mais íntima de suas intenções.
Curioso é que, de certa maneira, tudo que citei acima encontra o apoio da população. Claro: os tiques fascistas não são da Câmara, mas da cidade. A Câmara apenas solidifica o que capta no ar. Por isso ela deve ser fiscalizada com cuidado. Se correr solta, daqui a pouco surgirá uma lei que nos obrigue a levantar a mão e saudar o Führer.



4 respostas Até agora ↓
Fábio Ricardo // Abril 9, 2009 às 2:33 pm
Sábias palavras do Maicon. Concordo com todas.
E quanto há lei… eu não queria dizer nada não… mas alguém tinha dúvidas de que era de alguém do (eterno) PFL (que de democrata não tem nada)?
Giovanni Ramos // Abril 13, 2009 às 4:39 pm
Esse texto do Maicon Tenfen matou a pau. Escreveu aquilo que todo mundo sempre quis escrever. Concordo em tudo com ele. A cidade é conservadora, namora com o fascismo, tem a cara do UDN/Arena/PDS/PFL/DEM, etc
Oscar Ewald // Agosto 21, 2009 às 11:37 pm
Sobre politica não discuto! É tudo um lixo . . . e o fato de blumenau ser como é . . . É o q me faz gostar tanto dela. . . e apesar de ter morado em tantos lugares, e hj (infelizmente) morar temporariamente em São Paulo, não vejo a hora de voltar para um lugar com ORDEM de verdade! BLUMEENAU !!
costadessouza // Agosto 22, 2009 às 8:39 pm
Oscar, há cidades pro gosto de muita gente, e é triste mesmo a gente nem sempre poder estar onde a gente quer. O ruim da tal “ordem” é ser excludente. Por exemplo, é preciso assistir às benfeitorias do governo até antes de se ver um filme no cinema? Pra sempre concordar com os governantes? O bom seria se Blumenau aproveitasse o senso de organização que tem sem desrespeitar as diferenças. Ordem não é uniformidade. abraço.